Após terremotos, sistema de saúde venezuelano opera no limite; médicos e enfermeiros estão entre os milhares de desaparecidos
30/06/2026
(Foto: Reprodução) A Organização Mundial da Saúde afirmou nesta terça-feira (30) que os serviços médicos na Venezuela estão sobrecarregados e a situação é caótica seis dias depois dos terremotos.
Centenas de caixões empilhados ao lado de uma construção destruída pelos terremotos. O porto de La Guaira, a principal porta de entrada marítima da Venezuela, agora funciona como necrotério improvisado.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Nesta terça-feira (30), o governo venezuelano atualizou o número de mortos para 1.943. A Organização Mundial da Saúde alertou que milhares de venezuelanos agora podem enfrentar fome e o risco de doenças como dengue e febre amarela. O sistema de saúde venezuelano opera no limite. Segundo a OMS, os terremotos danificaram a estrutura de nove hospitais, que tiveram que reduzir ou suspender os atendimentos. Em muitos centros clínicos, o cenário é de caos. Além disso, há médicos e enfermeiros entre os milhares de desaparecidos.
Para ajudar na resposta ao desastre, a Marinha brasileira montou um hospital de campanha, com capacidade para atender 150 pessoas por dia em La Guaira.
"Tem um desabastecimento importante porque elas perderam suas casas. Consequentemente, perderam tudo que tinham dentro. Não têm mais remédios para tomarem, não tem mais isso. Vemos, também, traumas: entorses, fraturas, pequenos traumas decorrentes do desabamento, da correria para fugir", afirma a comandante Marisa Martins, diretora do hospital de campanha.
Após terremotos, sistema de saúde venezuelano opera no limite; médicos e enfermeiros estão entre os milhares de desaparecidos
Jornal Nacional/ Reprodução
Nesta terça-feira (30), a Força Aérea brasileira enviou o quinto voo humanitário com mais de cinco toneladas de suprimentos médicos e estrutura para ampliar o hospital. No total, serão 100 militares na Venezuela, entre fuzileiros navais e profissionais de saúde. Além de 71 bombeiros brasileiros que saíram de São Paulo, Minas Gerais e Paraná e estão ajudando nas buscas por sobreviventes. Quatro técnicos da Defesa Civil também participam das operações.
Nesta terça-feira (30), o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, visitou equipes na linha de frente. E, na capital Caracas, se reuniu com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Pelo menos 30 países mandaram ajuda para a Venezuela e mais de 3,6 mil socorristas estrangeiros estão no país. Os Estados Unidos enviaram mais de 300, além de navios, aeronaves e caminhões que podem ser usados como ambulância.
Após terremotos, sistema de saúde venezuelano opera no limite; médicos e enfermeiros estão entre os milhares de desaparecidos
Jornal Nacional/ Reprodução
Yulis é mãe de Anderson, de 21 anos. Ele morava nos Estados Unidos, trabalhava na construção civil e sustentava a família. Em situação irregular, foi detido pela imigração e deportado para a Venezuela na quarta-feira (24). O avião pousou em Caracas sete horas antes dos terremotos. Anderson passou quase dois dias soterrado. Agora, está entubado e teve as duas pernas amputadas.
Socorristas de El Salvador vasculhavam um prédio quando ouviram latidos no meio dos destroços. A equipe conseguiu resgatar o filhote que estava preso. Em Caracas, bombeiros da Jordânia passaram horas até conseguirem resgatar um menino de 3 anos. Ele sobreviveu preso nos escombros por seis dias e agora se recupera no hospital.
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional
LEIA TAMBÉM
VÍDEO: criança é resgatada com vida de escombros 6 dias após terremotos na Venezuela
Venezuelano que passou 4 dias soterrado conta que foi o único encontrado vivo em prédio
Imagens de satélite apontam quase 59 mil prédios possivelmente danificados após terremotos na Venezuela