'Agora estamos juntos': como irmãos separados na infância se encontraram 56 anos depois em lar de idosos

  • 16/08/2026
(Foto: Reprodução)
Irmãos se reencontram após 56 anos separados e voltam a morar juntos em SP Dois irmãos que foram separados ainda na infância passaram 56 anos sem conviver e perderam completamente o contato ao longo da vida. Eles se reencontraram em Franca (SP) em 2018 e, desde 2021, voltaram a morar juntos pela primeira vez desde que eram crianças. Benedito Albino de Paula, de 76 anos, e Maria do Carmo de Paula, de 72, nasceram na região de Pedregulho (SP). A mãe morreu durante o parto de Maria, quando Benedito tinha 3 anos. O pai se casou novamente, mas, depois da morte da madrasta, os irmãos foram separados. Maria foi acolhida por uma família em Franca e passou boa parte da vida cuidando da mulher que a criou. Benedito seguiu no campo e trabalhou como lavrador em fazendas da região de Ribeirão Corrente (SP). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O reencontro aconteceu em 2018. Uma voluntária do Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo ouviu a história de Benedito, que já vivia na instituição, e percebeu que conhecia a família com quem Maria morava. A informação foi repassada à equipe do lar, que conseguiu entrar em contato com ela. Benedito Albino de Paula e Maria do Carmo de Paula vivem no mesmo lar de idosos em Franca (SP) Lindomar Cailton | Reprodução EPTV Depois de tantos anos separados, Benedito diz que hoje valoriza a possibilidade de ter a irmã novamente por perto. "Agora nós estamos juntos, não é? Então, nós estamos bem, nós vivemos bem. Aqui nós temos comida, temos janta, temos cama arrumadinha, temos banho todo dia. Não falta remédio para nós, não falta nada." Caminhos separados ainda na infância Cada um seguiu a própria vida sem saber se um dia voltaria a encontrar o irmão. Benedito passou anos trabalhando na zona rural. Em 2010, foi acolhido pelo Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo, em Franca. Segundo a gestora de desenvolvimento institucional da entidade, Bruna Gonçalves Xavier, ele costumava falar sobre a família e sobre a vontade de reencontrar os irmãos. "Quando ele entrou no lar em 2010, ele trouxe esse relato para nós. Ele sempre contava a história dos irmãos, que tinha vontade de reencontrá-los." Anos depois, uma voluntária que frequentava a instituição ouviu a história e percebeu que conhecia a família com quem Maria vivia. O contato dela foi entregue à equipe do lar. Primeiro, os irmãos voltaram a conversar por telefone. Pouco depois, a instituição organizou o encontro presencial. "Então nós entramos em contato e eles conversaram por telefone no primeiro momento, foi muito emocionante, muito engraçado, e logo depois nós já agendamos o momento para ele ir até ela. E assim, eles se reencontraram, passamos a fazer visitas constantemente, marcávamos essa visita tanto para o lar levar ele até a Maria, quanto a Maria para vir visitar o Benedito." Irmãos voltaram a morar juntos em 2021, décadas depois de terem sido separados na infância Arquivo pessoal Do reencontro à rotina de irmãos Em 2021, a mulher que havia criado Maria morreu e ela precisou encontrar outro lugar para morar. Depois de passar um período com os filhos dela, Maria escolheu o mesmo lar onde Benedito já vivia havia mais de dez anos. Os dois passaram, então, a morar juntos novamente pela primeira vez desde a infância. Hoje, cada um mantém as próprias atividades. Maria, que não frequentou a escola e não aprendeu a ler, gosta de preencher cadernos com letras para passar o tempo. "Eu faço A, U, E, I, escrevo algumas coisas para distrair." Benedito costuma pintar desenhos. Segundo ele, a atividade também ajuda a ocupar a cabeça e a lidar com lembranças da própria história. "A gente esquece, assim, muita coisa que já aconteceu com a gente. Quando a gente tinha o nosso pai, a mãe, a gente fica pensando, né? Mas aí você tá mexendo ali, você esquece muita coisa. Eu acho que não adianta nada ficar pensando." Benedito gosta de pintar desenhos, enquanto Maria passa parte do tempo escrevendo Lindomar Cailton | Reprodução EPTV A convivência diária também tem as discussões comuns entre irmãos. Maria, por exemplo, reclama quando Benedito tenta consertar objetos. "Ele pega o rádio, desmonta, põe parafuso, enfia arame dentro do rádio. Ele não sabe arrumar, vai lá e quebra tudo. Nada chega." Benedito reconhece que a irmã fica de olho quando ele decide mexer em alguma coisa. "Não, ela não gosta que eu faça coisa errada não. Ela vê que eu tô fazendo uma coisa meio que apagada, ela briga comigo." Entre discussões e cuidado Segundo a equipe do lar, as divergências fazem parte da convivência, mas também são acompanhadas pelo cuidado de um com o outro. Quando um deles demora a aparecer, o outro procura os funcionários para saber o que aconteceu. "Se deixar muito próximo, sai faísca. É muito divertido. É uma relação de irmãos, eles se cuidam muito e ao mesmo tempo também se estranham em algum momento", conta Bruna. A preocupação aparece principalmente quando algum dos dois muda a rotina. "Eles se cuidam, a Maria fala que não se importa, mas se perder ele de vista, já começa a perguntar para a equipe, cadê o Benedito? E a mesma coisa com ele também, não é muito diferente. Ele também, na hora que perde ela de vista, ele já pergunta, buscam ali entender como está a saúde um do outro." Benedito, de 76 anos, e Maria, de 72, se reencontraram após mais de cinco décadas separados Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/08/16/agora-estamos-juntos-como-irmaos-separados-na-infancia-se-encontraram-56-anos-depois-em-lar-de-idosos.ghtml


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