Advogado entrega celular de outra pessoa e é preso por atrapalhar investigação sobre tráfico em MS
20/01/2026
(Foto: Reprodução) Operação investiga organização criminosa envolvida no tráfico interestadual de drogas com participação de policiais.
MPMS/Divulgação
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou um advogado de 55 anos por obstrução à Justiça após ele entregar o celular de outra pessoa no lugar do próprio para tentar atrapalhar as investigações da Operação Snow. A apuração investiga uma organização criminosa envolvida no tráfico interestadual de drogas com participação de policiais.
Segundo o Ministério Público, o advogado está preso preventivamente desde sexta-feira (9), em Campo Grande. A denúncia foi divulgada nesta segunda-feira (19).
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De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ele agiu de forma intencional para impedir que a Justiça tivesse acesso a provas consideradas essenciais para a investigação.
Segundo o processo, o advogado foi alvo de um mandado de busca e apreensão que determinava a entrega de seu celular de uso pessoal. No momento da abordagem, ele resistiu à ordem judicial e questionou a legalidade da medida.
Os argumentos foram rejeitados pela 3ª Vara Criminal de Campo Grande.
Em fevereiro de 2025, ao comparecer à sede do Gaeco para cumprir a decisão judicial, o advogado entregou um celular que não era dele. Segundo a perícia técnica, o aparelho pertencia a um terceiro e não apresentava sinais de uso cotidiano.
O celular estava sem cartão SIM, sem cartão de memória e não tinha registros comuns, como fotos, vídeos, mensagens ou histórico de navegação.
Para os promotores de Justiça, a entrega do aparelho foi uma manobra para ocultar provas e impedir o acesso a conversas que poderiam ligá-lo à organização criminosa e a esquemas de corrupção.
Segundo o Gaeco, as investigações indicam que o advogado tinha um papel estratégico dentro do grupo, indo além das funções tradicionais da advocacia.
Relatórios de inteligência apontam que o advogado ajudava a proteger integrantes da organização criminosa e teria intermediado o pagamento de propina a policiais para liberar caminhões com drogas
A denúncia afirma que a ocultação do verdadeiro celular e a entrega de um aparelho sem informações configuram tentativa de destruição de provas. A pena prevista para o crime varia de 3 a 8 anos de prisão.
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